domingo, 31 de janeiro de 2016

DESCONFIE DE QUEM É FELIZ DEMAIS NAS REDES SOCIAIS



Você chega em casa (as costas doendo, a cabeça pesada) e abre uma cerveja para relaxar. Liga a TV e, enquanto os jornalistas proferem discursos realistas e chocantes, você navega em suas redes sociais. Gatinhos fofos, pratos de comida, check-in em qualquer lugar, sorriso, sorriso, abraço, declaração de amor, sorriso, uma pessoa irritada com a política, alguém divulgando um evento, sorriso, festa, bebida, corpos seminus, sorriso. As redes sociais são o universo mais loucamente paralelo que há.
Basta reparar o pessoal no trabalho, cinema ou em qualquer outro lugar. Uma voltinha no quarteirão já é suficiente para perceber que o semblante das pessoas reais não é o daquelas fotos. A matemática humana fica ainda mais surreal quando se tenta equacionar a mesma pessoa que distribui amor e felicidade nas versões “vida na rede” X “vida real”. A conta geralmente não “bate”.
A internet é um veículo baratinho para se brincar de ator. Atua-se na vida que se gostaria de ter, nos relacionamentos idealizados, nas amizades eternas e plenamente sinérgicas. Atua-se no dinheiro sobrando, nas festas e viagens absurdamente divertidas, nas crises de riso intermináveis, nos corpos prontos para ser espontaneamente clicados. Assim, como quem nem viu a foto sendo feita.
É estranho procurar entender o que motiva alguém a derramar essa suposta felicidade no mundo virtual. É provável que, em grande parte dos casos, a carência por curtidas e comentários espelhe aquela afetiva e dolorosa, uma autoestima arranhada, ou uma profunda necessidade de aceitação. Talvez, como tantas blogueiras e pessoas públicas que fazem da falsa perfeição uma curiosa profissão, sejam internautas publicitários de si mesmos, vendendo por um preço exorbitante produtos de qualidade duvidosa e negociando quem fechará a bolsa de valores invertidos mais em alta.
Dia desses, num restaurante divertido e com boa comida, observei um casal muito conhecido publicamente sentar-se à mesa ao lado. Os dois não trocaram uma única palavra, salvo para escolher a comida — sobre a qual, aliás, discordaram — enquanto postavam fotos, respondiam a comentários e tiravam “selfies” de seus rostos bonitos em ângulos diversos. Tomei o cuidado de bisbilhotá-los depois para ver o que haviam postado. Era como se a noite tivesse sido esplendorosa, de papos alegres e maravilhosas histórias compartilhadas. Caramba, eles não tinham trocado uma só palavra. Os casais mais infelizes e complicados que conheço são os que mais se autoafirmam, entre longas declarações e fotos “100% espontâneas”, o amor infinito que devotam entre si.
Por outro lado, se a pessoa realmente for muito feliz e apenas quiser dividir tanto esplendor com o resto do mundo, será mesmo que faz sentido colocar-se à frente dos holofotes? Honestamente, quantos por cento das pessoas observam alguém MUITO feliz em uma foto e lhe desejam boas energias e vida longa? Mesmo que inconscientemente, é natural e humano — infelizmente — invejar o próximo quando imagina que sua própria condição não esteja à altura da de seus semelhantes.
É evidente que tudo isso são elucubrações e você pode estar revoltado. Posso estar errada, posso não estar falando de todos, não sou dona da verdade. Mas procure se lembrar de que o homem é apequenado em sua natureza, humanoide e pouco elevado em seu espírito. Despidos de nosso escudo de polidez e elevação moral, talvez comecemos a pensar que, por trás da vida que tanto exibimos no mundo virtual, existe um mundo de vida aqui dentro que precisa de cuidado real.
Por Lara Brenner, colunista da Revista Bula

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O QUE AS PESSOAS PENSAM DE VOCÊ É A REALIDADE DELAS E NÃO A SUA



O que outras pessoas pensam de você é a realidade delas, e não a sua. Elas sabem o seu nome, mas não a sua história; elas não viveram em sua pele ou calçaram os seus sapatos. Tudo o que os outros sabem sobre você é o que você disse ou o que eles puderam adivinhar, mas eles não conhecem os seus anjos, nem os seus demônios.
Muitas vezes achamos difícil entender a nós mesmos, mas nos aventuramos a decifrar o código dos sentimentos alheios. Você não pode ter certeza do que os outros sentem. Da mesma forma, não pode saber o que viveram e o que aprenderam ou não.
Portanto, não devemos dar importância ao que os outros dizem sobre nós, pois suas palavras são derivadas de uma realidade ilusória que suas mentes criaram com o desejo de saber tudo.


As pessoas que criticam

Há pessoas que dão opiniões sobre você, sobre sua vida e sobre suas decisões, mesmo que você não tenha pedido. Normalmente são opiniões maliciosas ou desprovidas de critério, cuja única finalidade é a de machucar, humilhar e desfrutar do pesar alheio.
Geralmente essas pessoas têm baixa autoestima, não se aceitam e, por isso, dificilmente poderão aceitar os outros. Essas pessoas colocam rótulos que refletem a realidade de como elas se sentem, projetando assim suas dificuldades emocionais.

Nós somos os únicos que podem mudar nosso caminho

“Viva a sua vida da maneira que quiser, não da maneira que os outros querem que você a viva”
É provável que, se nós pudéssemos entrar no corpo e na mente dos outros, não os julgássemos. Seria um teste real.
Fantasias à parte, temos que assumir como nossa única responsabilidade a ideia de nos valorizarmos e pararmos de nos condenar. O que os outros pensam de nós nos coloca um preço. Ou seja, assim como não deixamos que nos digam o que devemos vestir, não devemos permitir que outros escolham o nosso armário emocional.
Se vivermos de acordo com o que os outros pensam de nós, perderemos nosso estilo e nossa personalidade. Seremos obrigados a usar uma máscara e nossa imagem no espelho refletirá apenas a nossa insegurança e a nossa falta de autoestima.

Curar nossas partes magoadas pelas críticas

“As pessoas mais infelizes deste mundo são aquelas que se importam muito com o que os outros pensam”
Para curar as feridas emocionais causadas pelas críticas, temos que ter claro, em primeiro lugar, que somos pessoas únicas e excepcionais. Com essa mentalidade, perdemos o medo de sentir e de pensar por nós mesmos.
São os outros que estão julgando e criticando, não você. A crítica não construtiva deixa uma grande pobreza emocional no mundo interior de quem a pratica. Portanto, se a pessoa não parar, nestes momentos você deve ser emocionalmente egoísta e pensar em si próprio.
Afaste-se da negatividade e pense que a sua vida é sempre muito mais fácil quando você não se mete na vida dos outros. A seguir, nós lhe daremos algumas dicas para que você possa fazer isto facilmente:
1. Como mencionado, a consequência direta de acreditar no que os outros pensam e dizem é nos tornarmos alguém que não somos. E, é claro, querer agradar aos outros as custas da nossa identidade não é nada saudável.
2. Você é uma boa mãe? Você é uma pessoa bem-sucedida? Você é inteligente? Você faz o seu trabalho bem? Você gosta dos outros? Perceba quanta energia você perde se preocupando com estas questões.
3. No entanto, os outros pensam sobre nós muito menos do que nós acreditamos. Isto é, muitas vezes nos sentimos o centro das atenções de outras pessoas, quando na verdade, o que fazemos pode não ser tão relevante para muitos dos que nos rodeiam.Esse medo é em grande parte um produto da sua imaginação.
4. Não importa o que você faz e como faz, sempre haverá alguém que interpretará seus atos de forma errada. Então tente viver e agir naturalmente. O que você faz, se estiver se acordo com os seus valores, sempre estará certo. Não tente se justificar, pois se sentirá falso se não sintonizado consigo mesmo.
“Não espere que os outros entendam sua jornada, principalmente se eles nunca andaram no mesmo caminho que você”

Créditos: www.amenteemaravilhosa.com

sábado, 16 de janeiro de 2016

INÊS (DO) BRASIL



"Por que uma mulher baixa, promíscua e vulgar merece tanta atenção? Por que vocês acham graça e repercutem idéias de uma figura tão grotesca?".
Quem tá chegando agora e esbarra na imagem da Inês realmente não tem muito subsídio pra achá-la positiva. Mas quem se deu ao trabalho de ir um pouco além sabe que a análise sobre ela é mais complexa.
Mulher, negra, periférica, sem nenhuma instrução acadêmica e facilmente confundida com uma travesti, Inês Brasil é o tipo de indivíduo que tinha tudo pra dar errado. É um caldeirão de minorias que são marginalizadas na nossa sociedade medíocre.
Carrega nas costas os preconceitos sofridos por todas as classes citadas acima, e que mesmo indiretamente, se identificam com ela. Logo, falar da Inês e do que ela se tornou também é falar de representatividade.
Quando apareceu na internet com um vídeo de inscrição pra reality show, era só mais uma personagem apelativa, das quais nascem e morrem todos os dias.
Ver alguém quase nu pregando princípios religiosos realmente soa como uma caricatura, uma piada: um personagem.
Mas com o passar do tempo, a gente foi vendo que não era bem assim.
Depois de vários vídeos que reforçavam a ideia de que ela era algo programado, foi submetida a um quadro onde os protagonistas sofrem uma série de ataques gratuitos e propositais, sem saber que estão sendo gravados (Telegrama Legal).
Falando especificamente sobre ele, 90% dos "testados" realizam exatamente o mesmo ciclo: ultraje, instabilidade emocional e descontrole, até que a "brincadeira" é revelada.
Os que escolhem não partir pra agressão não podem ser considerados "animais indefesos se debatendo".
Quase todos, ao se verem destratados, se tornam agressivos. Mas ela não.
Pra surpresa de muitos, ela se manteve fiel aos princípios que seu suposto personagem pregava: compreensão e amor ao próximo (aliás, não é sobre isso que falam a maioria das religiões?).
O que nos levou a concluir que ela não era um personagem.
Sim, essa união cômica entre o sagrado e o profano, essa máquina fabricante de pérolas intermináveis é de verdade.
Foi a partir daí que uma grande parcela das pessoas, mesmo que inconscientemente, passou a admirá-la.
Inês Brasil é admirada pelo talento musical divergente que tem? Claro que não.
É admirada por difundir a vulgaridade andando seminua e falando baixarias? Obviamente não.
A singularidade da Inês é encontrada na forma divertida, cômica, e principalmenteautêntica, que ela encara a vida.
Vida essa que tinha tudo pra ser um poço de amargura.
Desafio qualquer um a se prostituir por oito anos, em um país e cultura que não são os seus, chegando a "trabalhar" até 20 horas por dia (como ela afirma em uma entrevista).
O sexo se torna tão banal que você provavelmente veria o corpo humano como uma peça de carne coberta por tecidos (quando vestido).
E a sua relação com o mundo?
Certamente perderia um punhado de parâmetros sociais quando o assunto fosse pudor.
Essa é a origem muito provável da sua hiperssexualização. Que inclusive, feita com muita consciência (quem acompanha sabe que ela é ciente do desconforto que causa, mas exibe o corpo como um troféu).
Por não possuir formação intelectual, muitas vezes não tem suporte pra construção de argumentos consistentes. Daí a inferir que ela porta distúrbios mentais é muita prepotência.
Sabemos que não é na inteligência que ela agrega.
É aplaudida, sim, simplesmente pela genialidade de ser, sem a pretensão de ser.
É adorada por ser real. Quem já foi em algum show sabe que ela não é tratada como boba da corte, e sim como rainha. Por quê?
Sabe aquele parente querido, que resolve se aventurar no ramo artístico, e você, mesmo sabendo que ele possa não possuir tanto talento, apoia só por saber que é importante pra ele?
Pois é.
O fato é que a Inês já é querida por muitos de nós, e apesar da carne "não pura", possui um coração que certamente é.
Não conseguir enxergar que ela tem bem mais a oferecer que um par de próteses e um arsenal de bordões, é muita limitação.
Créditos: brasilpost.com.br

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

AQUILO QUE O PAÍS CHAMA DE MÚSICA



Um pouco além de quem cita apenas a MPB como música boa, é sempre bom relembrar – e elucidar quem ainda não sabe – que a música brasileira já teve qualidade em gêneros populares também. Até mesmo o axé, rico ritmo regional baiano que expressava muito bem uma das principais identidades regionais do país, antes de ser pasteurizado por alguns nomes que atingiram o topo do estrelato, cumpria muito bem sua missão enquanto era cantado por nomes como Daniela MercuryMargareth Menezes e Luís Caldas.
A música pop brasileira também nunca foi de se jogar fora. Deborah Blando é um bom exemplo disso. E o nosso rock, bem, talvez nele resida a parte mais brilhante do que já foi feito nesse país como música. Da banda santista Charlie Brown Jr. ao revoltado com causa e consciência Cazuza, mestre poeta, até a imensurável Rita Lee: nomes que, apesar de incríveis, são apenas a ponta de um iceberg sonoro que é gigante no quesito qualidade.
Só que esses nomes, assim como uma dezena de outros que fazem parte do mais alto escalão da música desse país, caiu no esquecimento para a maioria dos brasileiros. Poderíamos dizer que, atualmente, com exceção de alguns nomes da velha-guarda que continuam atuantes produzindo para uma camada cada vez mais segmentada da população, o Brasil é um país que, na música, já não tem ídolos.
E é nesse vazio que reside as principais estrelas da música brasileira atual, que além de desconstruírem um gênero proveniente de uma das culturas mais originais desse país, a sertaneja, pasteurizando seu ritmo e história para vender uma realidade pouco criativa e pobre em forma de música, engoliram o mercado fonográfico brasileiro quase que inteiro, dominando uma indústria que sequer fomentam direito.
Não confunda essa crítica com uma revolta geral contra o gênero. É necessário dizer que não apenas os nomes que ergueram a música caipira de raiz no século passado, mas até mesmo as duplas românticas surgidas durante os anos 80 e 90, merecem o respeito geral de qualquer pessoa que entenda o mínimo de música.
Ainda no meio da década passada, as rádios brasileiras não eram completamente dominadas por duplas que pouco se distinguiam entre si. Provavelmente, o primeiro grande fenômeno do gênero nesse período tenha sido a banda Nashville. Em seguida, até meados de 2009, começou o surgimento de fenômenos oriundos da internet como Luan Santana, uma espécie de Justin Bieber semirrústico (mas que tem lá o seu talento), duplas absolutamente esquecíveis, como a mista Maria Cecília e Rodolfo, até chegar aos dias atuais, onde alguns cantores solos se estapeiam para decidir quem será o dono do hit mais banal que entoará as baladas “universitárias” desse país durante 4 ou 6 meses no máximo.
As fórmulas são semelhantes. Os cantores solos competem entre si tentando fidelizar o público – em sua maioria mulheres – com inúmeras fotos sem camisa postadas em suas redes sociais. O melhor seria parar de escrever por aí, mas é quase impossível concluir esse texto sem fazer ao menos uma leve análise sobre as composições desses artistas. Nem mesmo o romantismo existe mais. O que existe hoje é uma sequência de canções que são escritas “inspiradas” em alguma outra que deu certo antes. Tentarei ser explicar de forma didática!
É assim: se uma dupla ou cantor faz uma música sobre um carro importado, a Ford já pode ficar feliz, pois em algum momento alguém lhe fará uma campanha publicitária viral gratuitamente. Começa com uma proposta “ostentação”, uma “música” sobre um Camaro amarelo, depois vem outro querendo ser, digamos que, mais rústico, e canta sobre uma Hilux. Por fim, aparece outro querendo ser mais romântico e simples, e faz uma música sobre um carro popular no diminutivo, até que surge uma dupla do interior cantando uma música sobre alguma motocicleta.
Essas duplas surgem e desaparecem como que na velocidade da luz. Não há proposta, não há identidade, não há nem mesmo uma ligação direta com a cultura sertaneja. Usam apenas os elementos mais básicos, caracterizam-se e financiam alguma canção genérica de outra que já não acrescenta muita coisa com um bom investimento em jabá.
Não há sequer álbuns de estúdio, salvo casos raros de nomes que merecem o nosso respeito, como os mineiros Paula Fernandes e Vitor & Leo. São apenas sequências de álbuns e DVDs gravados ao vivo, estruturas de shows enormes e cheias de pirotecnias para artistas sem conteúdo algum, sem razão alguma, sem essência alguma. Artistas que não sabem de onde vieram e nem para onde vão. Artistas que estão engolindo o mercado fonográfico brasileiro, já que o sertanejo basicamente passou a dominar inclusive uma parcela significativa de bares e restaurantes que ofertavam música boa ao vivo até um tempo atrás. Sem falar nas rádios de grande alcance que restaram, que ao verem suas audiências ruírem, entregaram sua grade de programação quase que em 90% para o gênero, de olho no “investimento” constante que esses artistas fazem para disseminar suas músicas.
Mas uma música que não é consistente jamais poderá erguer uma carreira consistente. E na mesma velocidade com que surgem, boa parte desses nomes irão desaparecer sem lembrança alguma na memória de um público que hoje se diz fã, mas que não será capaz de comprar um único álbum ou DVD na primeira derrocada comercial que a “carreira” de algum desses nomes apresentar. Isso sem mencionar a longo prazo, porque se podemos ter certeza de algo nessa vida, é que para o bem ou para o mal, o passado sabe muito bem o seu lugar. E se nem aquilo que realmente é de valor e atemporal persiste com a mesma força de antes, não será uma “música” que mal consegue se sustentar por dez anos que ficará. Não ficarão!
Créditos: portalcontempop.com/