quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Feios têm a obrigação de ser inteligentes e os bonitos, burros.

Quando eu era adolescente me disseram: Rapaz, você é feio, tem a obrigação de ser inteligente. Na época eu cri nisso. Mas a verdade é que beleza é um conceito muito vago e manipulado. Você já parou para pensar o porquê você gosta tanto do que você gosta?  Por que acha tão belo aquilo que acha belo?
Fernando Pessoa escreveu que a beleza é o nome de qualquer coisa que não existe. Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão, e ela não é unanime. Para ser afável aos olhos da maioria, é preciso que se caia no senso comum, e hoje, da forma que somos manipulados enquanto sociedade, não há nenhum mérito em ser o que “todo mundo” gosta, seja em termos de beleza ou inteligência.  
O fato é que este culto estereotipado fez surgir uma reação estranha naqueles que não se encaixam no perfil: abrem mão dos cuidados com a saúde sob a justificativa de que é mais importante ser inteligente do que bonito. Não é verdade. Só é belo de verdade aquilo que possui harmonia entre forma e conteúdo. Não a forma em linhas, sim a forma como a pessoa cuida de si mesma. Assim como você tem o direito de moldar seu cérebro para ficar inteligente e destilar seu conhecimento em público, aqueles que preferem moldar o corpo podem expor suas conquistas. Não é necessária uma guerra por isso. Digo, não é preciso se autoafirmar dizendo que é preferível ser inteligente em detrimento de ser belo. Você só pode ser o que é. Então, não tente se sentir melhor subjugando os outros, saiba admirar o que eles têm de melhor, seja forma, conteúdo ou ambos. Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire.
Eu sempre digo que gosto de homens cuja maioria das pessoas considera estranhos e acham que sou demagogo ou hipócrita. Vivem querendo me testar, perguntam se eu namoraria um homem anoréxico, gordo, careca, negro, asiático, índio, sem dentes, sem cultura, alienígena. Mandam-me fotos e perguntam se namoraria essa ou aquela pessoa. Minha resposta é sempre:não sei dizer até de fato conhecer a pessoa. E é verdade. Há muitas formas e muitos conteúdos que fogem ao meu conhecimento e que não saberia dizer se iriam me agradar e se eu a agradaria ou não. É estranho tentar deduzir a personalidade de alguém apresentando apenas hipóteses. A resposta para isso é bastante simples: Eu amarei o homem que eu amar e que me amar.

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